Dead Souls
Junho 2, 2008
Someone take these dreams away
That point to me another day
A dual of personalities
That stretch all true reality
And they keep calling me, they keep calling me
Keep on calling me, they keep on calling me
Formado durante o auge do punk na Inglaterra ao fim da década de 1970, o Joy Division pode ser considerado como um dos percursores do post-punk, gênero que se contrapôs ao esgotamento e banalização da ideologia do punk-rock, adotando bases soturnas e melancólicas, maximizadas na figura Ian Curtis, vocalista e guitarrista da banda.
O existencialismo constantemente presente nas letras de Ian, leva muitos a acreditarem que estas eram um auto-retrato de sua vida, onde numa entrevista comentou “Escrevo sobre as diferentes formas que diferentes pessoas lidam com certos problemas, e como essas pessoas podem se adaptar e conviver com eles“.
Como muitos gênios da música, Ian Curtis encarou a morte em meio ao sucesso da carreira, se suicidando em 1980, porém com um legado que até hoje influencia o meio musical, tanto que sua cinebiografia foi lançada recentemente, intitulada Control, com seu lançamento no circuito mainstream comemorado no Inferno Club, em meio ao feriado de corpus christi.
Localizado no coração da cena alternativa paulistana, junto a botecos, cinemas, teatros, puteiros e outras casas noturnas, o Inferno Club apresenta-se como um local para abrigar novas tendências culturais na já cultuada Rua Augusta.
O tributo ao Joy Divison, com direito a banda cover e uma noite totalmente dedicada ao post-punk, foi perfeito para relembrar sonoridades que iniciaram a mistura entre rock e eletrônica e que nos dias de hoje retorna a cena por meio de bandas como Interpol e She Wants Revenge.
Control, dirigido pelo fotógrafo e cineasta Anton Corbijn, que também já gravou videoclipes para bandas como Depeche Mode e Nirvana, é a versão cinematográfica das músicas do Joy Division, tenso e obscuro, com este clima transportado para nós através de uma fotografia monocromática e realista, além de ter uma trilha sonora composta de clássicos dos anos 70 e 80…
New Order – “Exit”
The Velvet Underground – “What Goes On”
The Killers – “Shadowplay”
Buzzcocks – “Boredom”
Joy Division – “Dead Souls”
Supersister – “She Was Naked”
Iggy Pop – “Sister Midnight”
Joy Division – “Love Will Tear Us Apart”
Sex Pistols – “Problems”
New Order – “Hypnosis”
David Bowie – “Drive-In Saturday”
John Cooper Clarke – “Evidently Chickentown”
Roxy Music – “2HB”
Joy Division – “Transmission”
Kraftwerk – “Autobahn”
Joy Division – “Atmosphere”
David Bowie – “Warszawa”
New Order – “Get Out”
Parada Gay 2008
Maio 30, 2008
Pós-Parada
Como em anos passados, o sol brilhou forte na 12ª edição da Parada do Orgulho Gay de São Paulo, que novamente se manteve como a maior do mundo, com mais de três milhões de participantes.
O tom militante a tempos se perdeu, tanto é que muitos da camada “cult” GLS evitam a parada devido ao caráter carnavalesco que esta adotou, afinal tudo parece mais uma grande festa movida a trios elétricos do que um protesto por direitos iguais dados aos ditos cujos “normais”. Porém, a possibilidade de em pelo menos um dia do ano se divertir na rua sem ser hostilizado, e de uma minoria se tornar a maioria presente, torna pelo menos uma passagem rápida na grandiosa Av. Paulista, obrigatória.
Felizmente não estamos mais no século XX, e nos dias em que o “ligue o foda-se e seja feliz” fala mais alto, a crescente Parada de Sampa, mostra que a “saída do armário” se tornou mais fácil, além de que aos poucos mais e mais pessoas deixam o irracional de lado e compartilham o momento sem problemas.
Apesar do conservadorismo hipócrita ainda presente em grande parte de nossa sociedade, aos poucos, ela está evoluindo para melhor, e preconceitos estão sendo quebrados. Afinal, a não muito tempo atrás negros eram escravizados e mulheres eram consideradas objetos inferiores aos homens.
Lógico que muito vai demorar para ver casais do mesmo sexo juntos sem preocupações em determinados lugares que hoje em dia seriam um ato de suicídio. Porém a união faz a força, e em números cada vez maiores, se mostra que o liberalismo ainda é forte, e que com ele a paz social não está tão longe quanto se imagina.
Virada Cultural 2008
Maio 2, 2008
Vira Virada…!
Entre 3,5 e 4 milhões de participantes, além de mais de 800 atrações e 5 mil artistas envolvidos. Não, isto não é um festival gringo longínquo, mas sim um resumo da quarta edição da Virada Cultural, que em suas 24 horas de duração definitivamente consagrou-se neste ano de 2008 como mais um dos grandiosos eventos mundiais que somente a capital paulista consegue realizar.
Como já estampado no próprio nome, a virada reflete a diversidade cultural presente em São Paulo, onde não somente as apresentações são parte da atração principal, mas também o público presente, pois somente em um caso como este é possível ver em um mesmo dia e lugar praticamente todas as tribos urbanas reunidas em paz pela cultura e diversão.
As figuras de espantar tiazinhas simplesmente brotaram de todos os lados, emos, punks, góticos, psytrancers, indies, manos, pagodeiros, playboys e até os quase extintos clubbers (sim, vi um ou outro perambulando como canetas marca-texto ambulantes pelas pistas de eletrônica), para assistir atrações nacionais e internacionais tão diversas quanto eles, desde o Dj Mau Mau ao novo hype folk do momento Malu Magalhães e seu Overcoming Trio ao rock alternativo do Cachorro Grande a um dos percussores do hip-hop Afrika Bambaataa.
Após uma noite underground, com os primeiros raios de sol de um belo domingo surgem novos estilos e gostos, assim por dizer mais “comportados”, de famílias a patys e suas câmeras cyber-shot sempre empunhadas ou madames passeando com o cachorrinho, para comprovar que não só do privado vive a cidade e que somente um pouco de vontade política pode fazer muito pela população (imagine o potencial para coisas ainda maiores que se pode organizar).
Para quem não compareceu este ano, deixe a hipocrisia da frescura de lado e respire a cultura paulistana da melhor forma possível, vendo as mais variadas peças que a constituem.
Seguindo o calendário cultural, neste primeiro semestre ainda estão grandes eventos gratuitos por vir, como a Parada Gay e o Motomix Festival. Ou simplesmente saia na rua. Não é preciso muito esforço para se ver de tudo um pouco em sampa.
Portishead – Third
Março 27, 2008
Esteja alerta para a regra dos três
O que você dá retornará para você
Essa lição, você tem que aprender
Você só ganha o que você merece
Através desta mensagem, em bom português made-in-brazil, o ouvinte toma seu primeiro impacto ao apertar o botão “play”. Um retrato da agonia pessoal da era pós-moderna. Nada melhor que tal definição para o novo álbum de um dos maiores nomes nomes do trip hop, gênero musical para “viajar” nos melhores momentos introspectivos.
Após 11 anos sem novos lançamentos o Portishead retorna com seu terceiro álbum, respectivamente chamado de Third, ainda em sua consagrada maneira de transformar dor em arte, porém de maneira diferente de seus antecessores, Dummy (1994) e Portishead (1997), com um forte experimentalismo, batidas metálicas, pesadas e tensas e é lógico, os vocais fascinantes de Beth Gibbons, criando um clima sombrio e suave, que pode ser associado aos rumos dos tempos modernos atuais, onde o avanço da tecnologia e socialização, ao mesmo tempo que nos une, nos isola.
Claro, esta é uma interpretação pessoal, porém, baixe tais músicas num aparelho de mp3 e saia pelas ruas de São Paulo ou qualquer outro centro cosmopolita na hora do rush em um dia frio e nublado e ouvindo tudo isso observe as pessoas, definitivamente é uma experiência a refletir.
Como uma encruzilhada, o novo Portishead é uma viagem constante, na qual deve-se prestar atenção e ver o que faz e o que não faz sentido para você… Seguindo a tendência, o álbum “caiu” na rede antes de seu lançamento oficial, previsto para meios de abril, portanto ainda podem vir surpresas a esperar.
Site Oficial: http://www.portishead.co.uk/
MySpace: http://www.myspace.com/PORTISHEADALBUM3
Interpol
Março 12, 2008
Nos tempos de Strokes, Yeah Yeah Yeahs e afins (sim, o tempo passa mais rápido do que eu imaginava), acompanhando o novo rock dos 00’s, tive meu primeiro contato com o Interpol, estes com uma sonoridade revival da década de 1980 aos moldes atuais. Músicas obscuras, com uma mistura de clima pesado e animador, letras para se pensar… Não é um som para ouvintes de Jovem Pan, mas sim para quem vive a música.
Depois de anos de espera, finalmente os integrantes do Interpol desembarcaram nos trópicos tupiniquins para sua primeira apresentação na terra da garoa, onde a empolgação surpreendente do público em um Via Funchal lotado, parece ter levado por água abaixo a imagem “blasé” da banda, que parece ser sua marca registrada, vide a entrevistas e resenhas da mídia. Uma presença de palco, assim como sua música, únicas.
Uma enxurrada de hits, alternado entre os três álbuns, Turn on the Bright Lights (2002), Antics (2004) e Our Love to Admire (2007), um a um, foi levando todos e eu a um estado de êxtase que só o momento de poder contemplar uma apresentação “foda” pode proporcionar. Após uma hora e meia de show e ouvir músicas que estão entre meu “top ten”, saí sorrindo junto com o vocalista Paul Banks e o baixista Carlos D., suado e acabado, mas feliz por ter visto ao vivo o que em tantas vezes me empolguei ouvindo na balada, em casa ou dentro do ônibus.
Site Oficial: http://www.interpolnyc.com/
MySpace: http://www.myspace.com/interpol
Star Wars – Exposição Brasil
Março 12, 2008
Como nerd e fã de sci-fi, perder ou enrolar uma visita a recém chegada Star Wars Exposição Brasil em sampa, seria igualmente um pecado tão grave quanto jogar pedra na cruz para um cristão. Assim, na primeira oportunidade, perdendo um churrasco com direito a muito goró, fui na abafada tarde deste último sábado, conferir as bases da obra prima de George Lucas, criador da saga.
Recepcionado por Storm Troopers e atravessando corredores que mais se parecem com naves espaciais, o visitante depara-se literalmente com o universo de Guerra nas Estrelas, com dados sobre os planetas, objetos e personagens, além de toda a cronologia de uma era que se passou a muito tempo atrás em uma galáxia muito distante.
Ver em “carne e osso”, sabres de luz, roupas, pod-racers e bonecos em tamanho real de figuras como C-3PO, R2-D2 ou Chewbacca, além de storyboards de cenas clássicas do cinema, nos mostram que Star Wars não é apenas uma obra de arte, mas sim toda uma concepção de ideologia por trás de uma história de ficção, que se aplicada em nosso mundo, este definitivamente seria muito melhor.
Enfim, George Lucas, é um gênio, e o preço de um ingresso vale totalmente a pena para quem realmente gosta de Star Wars.
Star Wars – Exposição Brasil
Onde: Porão das Artes do Parque do Ibirapuera (Pavilhão da Bienal)
Quando: de Segunda a Domingo (5/3 a 29/6), das 9h às 22h
Ingresso: R$ 30,00 (meia R$ 15,00)
Site: www.ingressorapido.com.br – Tel: 11 4003-1212
Põe o carro. Tira o carro. A hora que eu quiser…
Março 6, 2008
Fuscão preto,
Você é feito de aço
Fez o meu peito em pedaços
Também aprendeu a matar
Fuscão preto,
Com o seu ronco maldito
Meu castelo tão bonito
Você fez desmoronar
Depois de sentir na pele dia após dia o que é estar numa hora do rush constante… Nada como relembrar dos “velhos tempos”. Sim, somos escravos de nossos automóveis!
Maldito seja quem inventou o carro.
I see you… Johaaaaaanna…!!!
Fevereiro 24, 2008
Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet
Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street
Um musical a lá Tim Burton…
Londres é suja! Sombria e suja!
Envolto neste cenário macabro o espectador é apresentado a Benjamin Barker (sob o pseudônimo de Sweeney Todd) e Mrs. Lovett, e sua fantástica loja de tortas, que após certos retoques de nosso protagonista principal se torna o novo point da cidade.
Antes de tudo, este filme é um musical, um musical de Tim Burton, portanto, aos acostumados com os blockbusters do momento ou Tela de Sucessos, o impacto é grande e muitas vezes negativo.
Litros e litros de sangue jorrando numa narrativa fantasiosa negra que só Tim Burton sabe fazer se tornam tão agradáveis quanto chocantes! Para quem presta atenção aos detalhes, efeitos e “brisas” e também, porque não a mortes, Sweeney Todd é um deleite a conferir. Mas tome um café antes, pois não vou mentir, por não ser tão fã assim do gênero musical, quase dormi no início, mas depois das navalhas de Johnny Depp começarem a entrar em ação sob as viagens visuais de Burton, logo despertei.
Ou é claro, baixe na net ou passe no camelô mais próximo, pois o preço dos ingressos nos cinemas são tão afiados quanto a mais afiada navalha do barbeiro demoníaco.
Site Oficial: http://www.sweeneytoddmovie.com
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=Ban1_ptuapA
O convívio social aos olhos de Tatsumi Orimoto
Fevereiro 23, 2008
Tatsumi Orimoto
Art Mama & Bread Men
Depois de tanto se falar do outrora esquecido, a não ser pelas “atividades sociais” em seu famoso vão, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), após o furto milaborante no melhor estilo “11 Homens e um Segredo”, de famosas obras de arte, resolvi finalmente fazer uma visita a tal museu, na terça-feira é claro, o dia do ingresso grátis.
O acervo permanente, com várias obras do modernismo brasileiro chama atenção, pois a cada olhada vinha o pensamento “nossa, já vi esse quadro antes”, como Retirantes, de Portinari. Porém a ala dedicada à escola francesa e outras passadas passa certa agonia, pois nunca fui muito chegado a obras de temática religiosa. Porém, no subsolo encontra-se o mais interessante no momento…
Chega ao MASP, como parte das comemorações do centenário da imigração japonesa no Brasil, a exposição dos 40 anos de carreira de Tatsumi Orimoto, que sob um ponto de vista muitas vezes cômico, através da série ‘bread men’, nos traz o choque cultural entre ocidente e oriente em uma série de passagens por diversas partes do mundo, inclusive o Brasil, onde tanto para deste lado do mundo, quanto para o outro, os opostos são estranhos e muitas vezes bizarros. Já a série ‘art mama’, tem como protagonista a mãe do artista em situações cotidianas, que com um toque de Orimoto, traz reflexão na observação de coisas que antes seriam banais.
Exposição O convívio social aos olhos de Tatsumi Orimoto
MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Av. Paulista, 1578 – Cerqueira César – São Paulo – SP
Período: de 11 de Janeiro/08 a 06 de Abril/08
Horário: Terça-Feira a Domingo e feriados, das 11h às 18h – Quinta-Feira até 20h
Ingresso: R$ 15 (inteira) e R$ 7,00 (estudante) – Gratuito as Terças até as 18h






